quarta-feira, 16 de junho de 2010

Caminhos Falhos


Correr, livre pela estrada

sem saber de nada, sem o que fazer
respostas que não dizem nada
mente perturbada, perguntar pra quê?

Da vida, procurando mapa
uma cópia barata,
deve merecer?

Prefácio, sem suor, num passo
um roteiro fácil,
mal precisa ler

E num virar de esquina,
encontrar a mina,
que aos olhos brilha,
mas não vê razão

De que adiantaria
munição sem mira?
pra um tiro certo,
falta pontaria


Crê em mero acaso,
e cruza sempre um braço e meio de azar,
quem num virar de cartas

tenta se encontrar


De conhecimento,
nem uma migalha
só fogo de palha,
um viver em vão

E inocente, foge
inventando atalhos
pra um caminho falho,
pura ilusão

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A guia


É ela que tira da cama
arruma o caminho, mostra direção
é ela que afasta da briga, encanta e convida pra reflexão
certeza, de todos é ela o melhor remédio pra qualquer razão

Gostosa, bondosa, vem sem muita prosa: observação
Tá sempre contigo, seu melhor amigo, quer queira ou não

Nunca
entra em copo, não possui formato ou degustação
Confunde o tolo, movido a tesouro: alienação

E quem não escuta, se perde na luta, vive decepção
pode crescer tarde, não possui caprichos e nem presunção
Difícil entender, praquele que crê só em maldição,
que o fogo é amigo e também um perigo, depende da mão

E mesmo o sofrido, temeroso, partido, se enche de amor
ao ver ele próprio que mesmo no lixo, nasceu uma flor

Depois de abrir a janela e soltar um sorriso, já meio banguela
escuta sua voz, que te desafia, toda singela:
Olha nos meu olhos,
diz que a vida não é bela!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a natureza..."


(Lord Byron)

domingo, 15 de novembro de 2009

Relatividade.


Há tempos perbeci, com olhar mais profundo, que conquistar esse mundo, é desejar pouca coisa.

E a melhor notícia: quanto mais estudamos, mais evidente fica a nossa total ignorância.

Otimista ou pessimista, depende do ponto de vista.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As Vendas


Procurou, sentido
esse foi seu grande erro
se tornou bandido
e jurou não ter mais medo

Saqueando sozinho a si mesmo

Pegou o que julgaram bom
comprou, vendeu, brigou
mas nunca se acalmou

Sempre aparece algo muito melhor
e de novo você fica na pior

Tudo fumaça,
basta um segundo e não tem mais graça
agora não importa o que você faça
tudo fumaça!

Procurou pensar
dessa vez sem viajar,
resolveu o velho escutar

Solte sua arma colega
sua munição é pura depressão
eu não quero ouvir mais reclamação
deixe essa droga no chão

Depois é fácil jogar
você criava o seu próprio azar
não adianta procurar com venda
desse jeito não há gênio que aprenda

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Multiplanos


Levantei querendo acordar,
nada arrumado, saí
o mundo todo calado em volta de mim
tanto faz se andei ou corri

Agora rostos móveis e estáticos eu vejo
tudo no mesmo tempo a partir
carros e construções por ali
todos apenas viajantes
próximos, distantes
não estou nesse plano, mas está tudo aí

Andando num vazio...
é possível gritar, mas ninguém vai ouvir
e não dá pra quebrar as regras daqui
você pode chorar, mas é melhor sorrir

É difícil entender como vivem assim?
questões são complicadas ou complicam as questões?
nunca estive tão certo com os meus botões

Eu sei o que busco mas não sei como quero
já que não sigo o mesmo plano, tudo bem
eu espero.

domingo, 14 de junho de 2009

Códigos de Honra.


1 - Não se pode apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso.

2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.


3 - Não se deve meter em confronto com os policiais.


4 - Não se deve frequëntar bares ou clubes.


5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.


6 - Os compromissos devem ser respeitados.

7 - Deve-se respeitar a esposa.


8 - Quando for chamado para esclarecer qualquer coisa, deverá dizer a verdade.


9 - Não pode se apropriar de dinheiro que pertence a outros ou a outras famílias.


10 - Não pode fazer parte da Cosa Nostra quem tem um parente nas diversas forças de ordem italianas, quem já traiu sentimentalmente dentro da família e quem tem um péssimo comportamento e não respeita os valores.



Estes são os famosos 10 mandamentos da "Cosa Nostra", os quais foram revelados após a polícia encontrar o esconderijo de Salvatore Lo Piccolo, chefe da máfia siciliana.
Há poucos dias vi um documentário sobre a máfia que me fez pensar sobre a importância de seguir certos códigos, seja qual for o propósito.

A atuação da máfia italiana, sobretudo nos Estados Unidos, começa a ruir a partir dos ano 90 por conta do desrespeito aos códigos de conduta, ou, como eram chamados na máfia: direitos e deveres. Certos senhores respeitáveis da Sicília criaram um código com perfeita organização, que autoprotegia os integrantes da máfia e um bem maior: a própria organização. A família pessoal de cada integrante era vista como um pilar dentro da máfia, pois sabiam que qualquer abalo nessa estrutura poderia comprometer seriamente os interesses de todos. A informação é o bem mais precioso de qualquer organização, basta cair nas mãos erradas e tudo estará perdido.

Pois bem, no início dos anos 90 os novos mafiosos diziam manter-se dentro dos códigos antigos, mas na verdade faziam tudo como bem queriam e desrespeitavam abertamente os deveres. A influência do "sonho americano", aquele estilo de vida que já estava consolidado na ocasião, fora absorvido pelos novos integrantes das máfias, os quais eram quase o oposto dos "respeitáveis senhores sicilianos". Práticas como confusões em boates, confrontos com policiais e exposições desnecessárias na mídia começaram a ser comuns. Os velhos mandamentos de honra não faziam diferença para muitos líderes, e não durou muito para que os associados em geral fizessem o que bem entendessem dos seus negócios.
Quando um integrante da máfia era preso, ao contrário de antigamente, a organização não se comprometia a ajudar sua família. A máfia perdera um dos valores mais importantes, o respeito.
No final daquela década, o número de ex-mafiosos era assustador. Centenas de associados da máfia concordavam em ajudar a polícia, recebendo em troca a participação no programa de proteção aos informantes. Muitos dos "traidores" já vinham sendo traídos há muito tempo.

Isso tudo mostra que não adianta nada levantar uma bandeira e agir de forma incoerente. Qualquer valor só faz sentido quando sustentado por um conjunto de regras que é respeitado. Ao questionar e atropelar nossas convicções, precisamos buscar mudanças e algo sólido para nos sustentarmos.
A partir do momento que certos códigos não fazem mais diferença e os "mandamentos" continuam os mesmos, o fracasso é questão de tempo.